Dr. Luiz Roberto Terzian
Clínica Projeto Corpo
Av. Barão de Campos Gerais, 763
Real Parque (Morumbi)
São Paulo / SP
Tel.: (11) 3758-9762 / 3758-7818
E-mail: lrterzian@dermatologista.net

 

O Aparelho Ungueal e Suas Doenças

O conhecimento da anatomia da unha é fundamental para entender seu funcionamento e suas doenças. Neste artigo falaremos da anatomia das unhas e das principais doenças que as afetam, fundamentais para quem trabalha no cuidado delas.

O aparelho ungueal é muito mais que apenas a unha, funciona como um sistema do organismo, com características especiais. É formado por várias estruturas (Fig 1 e Fig 2):

1- Raiz Ungueal: é quem forma a lâmina ungueal (unha), está na região superior e inferior da base da lâmina, pode ser vista nos primeiros dedos, como um semi-círculo branco, a lúnula;
2- Dobra proximal: é a borda de pele que está na base da lâmina ungueal;
3- Dobras laterais: são as bordas de pele nas laterais das unhas;
4- Borda livre: é a parte distal da lâmina ungueal, ou seja, a que cortamos;
5- Leito ungueal: é a pele que está colada à lâmina ungueal, também participa da formação da lâmina;
6- Lâmina ungueal: mais chamada de unha, é uma placa de queratina dura, aderida ao leito ungueal e formada por ele e pela matriz ungueal. Recobre a extremidade posterior da última falange dos dedos;
7- Eponíquio: é a chamada cutícula, porção de pele aderida à lâmina ungueal na sua porção proximal, que serve para proteger a raiz contra a entrada de umidade, substâncias químicas e agentes infecciosos.

Figura 1 – Incidência macroscópica da unha do polegar mostrando aspectos normais.

Doenças do aparelho ungueal:

O aparelho ungueal pode ser acometido por diversas doenças. Seu conhecimento é muito importante para saber o que estará sendo alterado na unha, se pode ser transmissível à profissional e a outras clientes e o que se pode fazer para ajudar a pessoa que tem este problema.

1- Unhas Frágeis: ocorre desidratação da lâmina ungueal ou alteração da sua formação, ficando quebradiça e mais maleável. As principais causas são doenças internas, como alterações metabólicas e hormonais e dermatite de contato (Fig. 3).
O que fazer: encaminhar ao dermatologista, que vai procurar identificar a causa e tratá-la, controlando a doença e permitindo que as unhas se fortaleçam.

Figura 3: 1- Unha normal; 2- Unha frágil.

2- Dermatite de contato: é uma alergia que ocorre na lâmina ungueal e na pele ao redor dela, podendo ocasionar irritação, vermelhidão, inchaço e dor. Pode ser causada por
diversas substâncias, como esmaltes e removedores de esmaltes com acetona, sabões, detergentes e produtos de limpeza (Fig 4).
O que fazer: Evitar contato com as substâncias alergênicas ou irritantes, muita vezes o médico solicita um teste específico para tentar identificar qual a substância que está causando a dermatite.

Figura 4 - Dermatite de contato nas unhas.

3- Psoríase: é uma doença herdada geneticamente. Nela ocorre a formação de lesões escamosas em qualquer região do corpo. As lesões apresentam fases de piora e melhora, podendo acometer toda a pele nos casos mais graves. Em alguns casos a doença manifesta-se apenas nas unhas. As unhas ficam deformadas, com depressões na superfície da lâmina, podendo ocorrer o descolamento entre a lâmina e o leito ungueal, com formação de escamas sob a unha. A região entre a parte doente da unha e a parte sem doença dá a impressão de ter uma mancha de óleo (Fig. 5).
O que fazer: Encaminhar ao dermatologista, pois o tratamento desta doença não é simples. Ela pode se parecer com onicomicose e ter tratamento inadequado, o que piora o problema. A manipulação da unha também costuma piorar a doença. Logo, se desconfiar de psoríase, não mexa na unha. Não é transmissível.

Figura 5 - Psoríase acometendo a unha e o dedo. Note que parece haver uma mancha de óleo sob a unha.

4- Unha encravada: as unhas encravadas ocorrem quando a borda lateral da unha penetra na dobra lateral da pele e provoca uma inflamação no local. Isto é causado pelo uso de calçados inadequados, problemas ortopédicos ou alterações no aparelho ungueal. A inflamação se forma porque a unha, ao penetrar na pele, age como um corpo estranho, onde o organismo tenta destruí-lo pela inflamação. É comum ocorrer infecção no local, agravando o problema. Pode ocorrer também a formação de um granuloma, tecido friável e sangrante, chamado popularmente de carne esponjosa (Fig. 6).
O que fazer: Se o local estiver inflamado, infectado, com secreção ou muito dolorido, não mexer. O dermatologista fará uma cirurgia para remover o excesso de unha ou o excesso de pele, destruindo a raiz na região operada para evitar que o problema volte a ocorrer. Nos casos muito iniciais, onde apenas uma pequena espícula de unha está começando a penetrar na pele da borda lateral, sem inflamação ou dor, pode ser tentada sua remoção delicadamente, sem ferir a pele. Na dúvida, não manipular a região.

Figura 6 – Unha encravada.

5 - Infecções: Diversos tipos de infecções podem afetar o aparelho ungueal. Muito cuidado, pois todas elas podem ser transmissíveis, tanto para outras clientes quanto para as profissionais.

A-) Bacterianas: são as infecções mais comuns. Ocorrem mais freqüentemente na pele ao redor da lâmina ungueal, sendo chamadas de paroníquias. São acompanhadas por inflamação, inchaço, vermelhidão e dor, podendo deformar a unha. Quando afeta a matriz, a deformação da lâmina pode ser permanente. A Paroníquia é facilitada pela remoção da cutícula, que é uma proteção natural contra a entrada de bactérias na dobra ungueal (Fig. 7 e 8).
O que fazer: encaminhar ao médico para tratamento o quanto antes, a fim de evitar lesão na matriz. Não remover a cutícula para não agravar a doença.

Figuras 7 e 8 - Paroníquia (infecção periungueal)0

b-) Virais: as verrugas são as principais infecções virais do aparelho ungueal. Podem acometer a raiz e causar danos permanentes à lâmina ungueal.
O que fazer: encaminhar para tratamento médico, pois se manipuladas inadequadamente podem proliferar-se, acometendo toda a região peri e sub-ungueal.

c-) Fúngicas: A infecção fúngica da lâmina ungueal é chamada de onicomicose. É muito freqüente e seu tratamento é caro e demorado. Pode causar descolamento e destruição da lâmina, alteração da cor (esverdeada, acastanhada, esbranquiçada), odor e dor. Também pode ocasionar danos irreversíveis se acometer a raiz. Geralmente começa na borda lateral ou distal (livre) da lâmina e cresce em direção à raiz (Fig 10 e 11).
O que fazer: O tratamento deste problema envolve o médico dermatologista, que solicita exames para detecção e identificação do fungo e medica tanto com tópicos (esmaltes) quanto com comprimidos, muitas vezes associados. A manicure e o podólogo ajudam muito no tratamento, pois podem fazer o lixamento da lâmina e a aplicação do esmalte semanalmente, além de acompanhar o uso da medicação oral (perguntar se a cliente está tomando direito o medicamento) e a evolução da doença (verificar se está melhorando como deveria). Sobre o esmalte terapêutico pode ser colocado o colorido, porém nunca “esconder” a micose da cliente sem estar tratando, pois assim você não estará ajudando e sim piorando a doença.

Figura 10 – Onicomicose com destruição quase total da lâmina ungueal.

Figura 11 – Onicomicose na borda livre e lateral, com alteração da cor da lâmina ungueal.

6- Tumores: Diversos tumores malignos podem afetar o aparelho ungueal, com chances de metástases e morte do paciente se o diagnóstico e o tratamento forem tardios. Os tumores mais comuns nesta região são:

a-) Carcinoma Espinocelular: originário da camada espinhosa da pele, forma lesões espessadas, sangrantes, indolores, ásperas e avermelhadas. Podem parecer com verrugas ou infecções (Fig 12).
O que fazer: qualquer suspeita de um tumor, encaminhar o mais rápido possível ao dermatologista, que fará o diagnóstico pelo aspecto e pela biopsia da pele.

Figura 12 - Carcinoma espinocelular do aparelho ungueal, lesão verrucosa, irregular, mal delimitada, destruindo o aparelho ungueal.

b-) Melanoma: é o câncer de pele mais agressivo, com alto índice de mortalidade se não for diagnosticado e tratado no início. Na maioria das vezes é uma lesão enegrecida ou acastanhada, irregular, com diferentes cores; ou se apresenta como uma faixa escura na lâmina ungueal, larga, irregular, com surgimento ou mudança recentes. Pode sangrar e é indolor (Fig 13 e 14).
O que fazer: qualquer mancha ou pinta ou faixa escura no aparelho ungueal deve ser examinada o quanto antes pelo dermatologista, pois isto pode salvar o dedo e a vida da cliente.

Figura 13 – Melanoma já avançado, acometendo o aparelho ungueal. Note as áreas enegrecidas que caracterizam este tumor.


– Melanoma em faixa, acometendo o aparelho ungueal. Note as diferenças de tons, a mancha invadindo a pele e a espessura da faixa escura.

Conclusões:
Muitos profissionais trabalham com o cuidado das unhas, sendo as manicures e os podólogos os que têm maior contato com elas. O que diferencia um bom profissional dos demais é o algo mais, que inclui o conhecimento da estrutura (anatomia) da parte do corpo com a qual trabalham e o conhecimento das principais alterações que ocorrem nesta região. Isto vai permitir não apenas realizar seu trabalho, mas também ser um agente de saúde, identificando possíveis doenças e encaminhando o cliente a um profissional adequado para tratá-lo. Os profissionais que tiverem este conhecimento e bom senso, sem dúvida, vão se destacar e poder ajudar mais seus clientes que, muitas vezes, não sabem que têm um problema e muito menos que ele pode ser grave e pôr sua vida em risco.
Estes foram os principais objetivos deste artigo: oferecer informações, agregar valores ao seu atendimento e torná-lo (a) um agente divulgador de saúde.

Estarei à disposição para dúvidas e esclarecimentos no e-mail:
lrterzian@dermatologista.net

Obs.: Algumas das imagens apresentadas foram retiradas de sites da Internet. Quero deixar registrado meu agradecimento aos colegas que as disponibilizaram.

Nota da Editora: O Dr. Luiz Roberto Terzian é Médico Dermatologista (CRM: 82118),
Coordenador Científico do I e II Congressos Brasileiros de Manicures, Membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, Membro da sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica, Membro da American Academy of Dermatology, Colaborador do grupo de cirurgia dermatológica da UNIFESP-EPM e Pós-Graduando do HC-FMUSP/SP.


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